terça-feira, 24 de setembro de 2013

Eternos ilhéus



Em solidão madrasta, escondo-me no meu eu mais recatado, aquela parte que me escapo de mim. Visto-me de basalto rochoso e mergulho no murmúrio do meu mar profundo como uma espada que trespassa um corpo.
Assola-me a lava de medo como o trovão sentido pelo vento, que teima em não ser quebrado.

Venho á superficie receber a inspiração para de novo mergulhar em mim, numa exalação que se molda em tempestade.
Não sou mais do que pedra viva, que fala, que prosa, que pensa…
Não sou mais do que um ilhéu perdido na pangeia oceânica, que o nevoeiro da ilusão esconde da iluminação divina e dos sois que me querem abraçar.  
Sou o peso que garajaus e gaivotas não conseguem carregar, em seus deambulantes voos desorientados por uma bússola que queria minha.

Rogo que um naufrago perdido me descubra e me habite, tal casamento até que a morte o separe, que me usufrua por inteiro bebendo água fresca das minhas nascentes mais puras, e não se sinta prisioneiro de mim.
Que me descubra um pirata porque também tenho tesouros, como as verdades que se dizem e os sentimentos revelados, guardados nas  profundas grutas do meu ser.

Sou por acaso um ilhéu esperando em sorte encontrar outro ilhéu, para dos nossos penhascos, juntos vislumbrarmos o imenso horizonte da liberdade.


© Altino Pinheiro



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